Presidente do Sinspeb denuncia que falta de policiais e equipamentos de segurança facilitaram fuga no Conjunto Penal de Feira


Neste mês de agosto já ocorreram duas mortes de presos no Conjunto Penal de Feira de Santana e na madrugada desta terça-feira (25), três custodiados de alta periculosidade conseguiram pular os muros da unidade e fugiram com a ajuda de comparsas que os aguardavam do lado de fora. Disparos de arma de fogo ainda foram feitos por policiais, mas os bandidos conseguiram fugir.

http://centraldepolicia.olabahia.com.br/2020/08/25/tres-presos-fogem-do-conjunto-penal-de-feira-de-santana/

Ainda este ano, 10 detentos tentaram fugir no dia 20 de março, chegando a pular um dos muros, mas foram recapturados pela polícia. Dez dias depois, outros cinco tentaram fugir e também foram impedidos.

O número insuficiente de agentes penitenciários e a ausência de equipamentos eletrônicos para coibir a ação dos presos são fatores que estimulam as tentativas e fugas. Quem denuncia é Reivon Pimentel, presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia (Sinspeb),

Em entrevista ao repórter Sotero Filho, o presidente do Sinspeb fez relato gravíssimo da situação atual do Conjunto Penal de Feira.

“São vários fatores que facilitam essas fugas, mas o principal é a falta de policiais penais. Hoje, o Conjunto Penal de Feira de Santana é a maior unidade prisional do estado. Nós temos lá, mais de 1.700 custodiados e, pasmem, para fazer a assistência a esses custodiados e a segurança do estabelecimento penal nós temos menos de vinte policiais penais por plantão de 24 horas. Isso é menos de 10% do quantitativo necessário para fazer a segurança da unidade. Nós temos vários postos de serviço que foram abandonados por falta de policial penal, postos de grande relevância para a manutenção da segurança. Chega a ser um absurdo e a sociedade feirense precisa saber que durante a noite, um único policial penal é responsável pela segurança de três pavilhões, lembrando que o conjunto penal tem hoje 11 pavilhões masculino, um mini presídio e um pavilhão feminino, então é humanamente impossível fazer a segurança com esse quantitativo de policial penal”, denuncia Pimentel.

Falta de equipamentos de monitoração eletrônica e bloqueadores de celulares

O sindicalista também denuncia a falta de equipamentos de monitoração eletrônica, sistema de monitoramento de câmeras e bloqueadores de aparelhos celulares, o que facilita a comunicação dos presos com o exterior da unidade penal.

Guaritas abandonadas e outras utilizadas em sistema de rodízio

Reivon também alerta que várias guaritas estão desguarnecidas e culpa o estado pelo abandono. “Quase a totalidade das guaritas foi abandonada pela Polícia Militar, algumas por falta de segurança para os policiais e outras por falta de prepostos. Existem 17 guaritas de segurança e dessas, 3 já foram totalmente abandonadas e podem servir para criminosos acessarem e fugir, pois não foram demolidas. Das outras 14 ainda ativas, somente três são guarnecidas por prepostos da polícia militar”, revela.

Drones utilizados por bandidos para monitorar o presídio

O presidente do Sinspeb denuncia também que por conta da utilização das guaritas em sistema de rodízio, os criminosos ficam sabendo e “chegam a utilizar drones e podem se comunicar. Eles sabem perfeitamente as guaritas que estão desguarnecidas e fica fácil para montar um plano de fuga, como aconteceu na terça-feira”.

Pimentel conclui que um dos pavilhões, o de número 11 já foi interditado por falta de segurança e fica mais próximo da via principal, mas continua sendo utilizado. “Até quando o governo da Bahia vai permitir que essas coisas aconteçam, permitir que criminosos de alta periculosidade possam deixar o conjunto penal para aterrorizar a sociedade feirense?”, questiona.

Nossa reportagem procurou o Major PM Leonir Moraes, comandante da Guarda do Conjunto Penal, mas ele não quis se pronunciar sobre a fuga e denúncia do sindicalista.

Blog Central de Polícia, com informações de Sotero Filho e imagem ilustração/reprodução.